bem vindos ao lugar,
não,
a casa,
onde se percebe,
não,
onde se toca
a confusão das palavras,
não,
das idéias
que não se exprimem,
não,
que se ausentam
ao tempo,
não,

ao exílio
das horas.


quinta-feira, 27 de setembro de 2007

o moinho

quando do dia envergado
chegou o primeiro pensamento (envolto em penumbra)
as dobradiças da cancela
oprimidas pela ferrugem
fez notar o primeiro passo
da lenta e degradada memória das águas
as quais, de tanto murmúrio,
levam sempre consigo a oportunidade única,
e os felizardos que conseguiam tocar -
de forma violenta e (semi)contínua (sua úmida carne) -
eram as pás do moínho
que sem sensura se deixava banhar
abandonada à languidez fluvial.
Naquela altura dos desejos,
- o velho Moinho que só poderia agradecer
o fato de terem arrancado-lhe
uma de suas engrenagens -
sonhava com alguma outra debilidade
que talvez lhe desse tanto ou maior prazer.


As pás não se moviam,
mas a alma trasladava
agora pelo íntimo contato das águas.
Sabia dos segredos que os rios
arrancavam da terra e dos peixes
num sussurrar tenro
e que nunca se cala
a voz do coração fala sempre mais alto,
a das coisas têm menos importancia.
nesse estado letargico
até que vive feliz
e seu maior medo agora
é que lhe restituam os movimentos.


Charles Souza.

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