bem vindos ao lugar,
não,
a casa,
onde se percebe,
não,
onde se toca
a confusão das palavras,
não,
das idéias
que não se exprimem,
não,
que se ausentam
ao tempo,
não,

ao exílio
das horas.


sexta-feira, 5 de outubro de 2007

poema de veraneio (devaneio)

Nesta noite veraneada
de insetos, de revoada
de arvores cor de cinza
ond'estrelas prateadas.


Noite de sonhos entremeados
de lânguidos suspiros vindos
onde fogueira medieval esvai
a fugas à quilombos extintos.


Deixo vir a ninfa - os peixes -
o vinho - a rima e a métrica.

A ninfa seduzi.
Os peixes comi.
A rima tesci (foi-me fácil)
a métrica é assimétrica
desse mundo de réplica (de sonhos)
de vriadas sílabas contadas
[somadas...

Nesta noite veraneada
de lua cheia prateada
de árvores vivas e mortas
de sussurros atrás de portas.

Eu vivo esse reino absurdo
de loucos, cegos e obtusos
de facas traiçoeiras e beijos
fadas, druidas e escudeiros.

Deixo vagar a ninfa - os peixes
o vinho - a métrica.
à ninfa erigí uma estátua
( por esta vão condenar-me)
os peixes comí por fome
(isto me basta)
a rima que tesci
-com uma métrica assimétrica-
compos-se nesta hora
de variados números
decompondo meu reino
tijolo
a
t
i
j
o
l
o
se é que se sabe
qual é a matéria concreta
de que são feitos os abstratos
dos sonhos secretos

nessa noite veraneada
de dragões e cavalgadas
onde menestréis a m'encantar
num som barroco a deixar
pelo vento ir-se...
pelo vento ir-se...
vento ir-se...

p l v n o r - s
e o e t i e...
(ecos)

levaram-me, estes elísios
a voz-
a ninfa-
os peixes-
a noite veraneada-
os sonhos-
acordo:
descubro
que criei n'outro mundo
um sentimento obscuro;
saldade de um reino mudo
de sonhos em construção.

Charles Souza.

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