Nesta noite veraneada
de insetos, de revoada
de arvores cor de cinza
ond'estrelas prateadas.
Noite de sonhos entremeados
de lânguidos suspiros vindos
onde fogueira medieval esvai
a fugas à quilombos extintos.
Deixo vir a ninfa - os peixes -
o vinho - a rima e a métrica.
A ninfa seduzi.
Os peixes comi.
A rima tesci (foi-me fácil)
a métrica é assimétrica
desse mundo de réplica (de sonhos)
de vriadas sílabas contadas
[somadas...
Nesta noite veraneada
de lua cheia prateada
de árvores vivas e mortas
de sussurros atrás de portas.
Eu vivo esse reino absurdo
de loucos, cegos e obtusos
de facas traiçoeiras e beijos
fadas, druidas e escudeiros.
Deixo vagar a ninfa - os peixes
o vinho - a métrica.
à ninfa erigí uma estátua
( por esta vão condenar-me)
os peixes comí por fome
(isto me basta)
a rima que tesci
-com uma métrica assimétrica-
compos-se nesta hora
de variados números
decompondo meu reino
tijolo
a
t
i
j
o
l
o
se é que se sabe
qual é a matéria concreta
de que são feitos os abstratos
dos sonhos secretos
nessa noite veraneada
de dragões e cavalgadas
onde menestréis a m'encantar
num som barroco a deixar
pelo vento ir-se...
pelo vento ir-se...
vento ir-se...
p l v n o r - s
e o e t i e...
(ecos)
levaram-me, estes elísios
a voz-
a ninfa-
os peixes-
a noite veraneada-
os sonhos-
acordo:
descubro
que criei n'outro mundo
um sentimento obscuro;
saldade de um reino mudo
de sonhos em construção.
Charles Souza.
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